Vantagens e desvantagens de se investir em um consórcio de imóveis

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Se a sua vontade de adquirir um imóvel está maior que sua possibilidade de juntar os recursos necessários para isso no tempo que planeja, pode ser que um consórcio de imóveis seja a alternativa que você esteja buscando. 

Um consórcio é uma prática de reunir um grupo para aquisição de terrenos, imóveis, automóveis, etc. Assim, durante sua duração, os participantes têm a chance de serem sorteados para poderem adquirir o bem. 

Com diversas vantagens, mas também desvantagens, a prática é uma das melhores formas de se ter acesso a imóveis de forma parcelada, como seu principal concorrente, o financiamento. 

Com esse texto, buscaremos elucidar dúvidas sobre o consórcio, expondo também quais são seus maiores benefícios, bem como pontos a serem analisados com cautela, como possíveis desvantagens.

O que é um consórcio e como funciona?

Como mencionado, o consorcio imobiliario consiste em uma prática de reunir um grupo para investir em um determinado fundo, com intuito de adquirir um bem, seja imóvel como casa, terreno, apartamento; como móvel, como no caso de consórcio de automóveis. 

Esse investimento comum terá como objetivo a formação de caixa, que possibilitará sorteios e contemplação dos investidores envolvidos no negócio. 

Estes chamados sorteios são periódicos e ocorrem durante toda a duração do consórcio, sendo possível, por exemplo, que uma pessoa que ingressa na prática, para um consórcio com previsão de 15 anos, seja sorteada e contemplada no segundo ano de pagamento. 

Este sorteio poderá ser realizado tanto pela administradora do consórcio quanto pela Loteria Federal, com base em um número recebido quando acontece o ingresso no grupo de consórcio. 

Nesse caso, haverá o recebimento de uma carta de crédito com o valor previsto quando da entrada no consórcio. Essa carta deverá ser apresentada na aquisição do imóvel previsto, dentro dos prazos estabelecidos pelo contrato.

É importante destacar que a carta de crédito pode apenas compor o valor do imóvel e ser possível complementar a compra, como em qualquer outra modalidade de consórcio. O contemplado não fica limitado ao valor que foi recebido. 

Se, por exemplo, na avaliação de imóvel residencial, há a constatação de que o apartamento escolhido é mais caro, sempre é possível que o contemplado complete o valor de outra forma. A carta pode ser utilizada tanto à vista quanto também como entrada para o bem. 

Além disso, a carta de crédito poderá ser recebida de duas maneiras: por lance ou, como descrito, por meio de sorteio. O lance funciona quando, como em um leilão, são oferecidos valores para a carta de crédito e, o que ganhar, é contemplado. 

Posteriormente, esse valor é abatido do que ainda falta ser pago dentro do procedimento do consórcio.

Assim, para ingresso no consórcio, não há uma verificação muito extensa, inclusive sendo possível ingressar com nome sujo, o que seria impossível em caso de financiamento. Essa verificação será realizada quando houver a contemplação, como mencionado. 

Após isso, é necessário que haja algum tipo de garantia por parte do contemplado, que poderá ser através de algum bem ou até mesmo fiador, para poder assegurar que, uma vez com a carta de crédito em mãos, o pagamento continuará. 

Por fim, é imprescindível que sejam fornecidas todas as especificações do imóvel, que precisará constar na carta de crédito. 

Saiba quais são as vantagens 

A principal vantagem oferecida pelo consórcio é a chance de obter o bem com maior rapidez, o que seria possível através de economizar para perfazer uma boa entrada ou, ainda, preparar-se financeiramente para lidar com as parcelas de um financiamento. 

Deve-se considerar que um imóvel tem rápida valorização e, por vezes, ainda que haja juros e taxas a serem previstas, o prazo para economia do valor necessário poderá ser grande demais para que o imóvel se mantenha com o mesmo preço. 

Assim, a casa dos sonhos, com sauna, piscina e um projeto de paisagismo de alto padrão pode parecer próxima no início do consórcio e mais distante conforme os anos forem passando, pela perda do poder de compra. 

Isso é previsto também no consórcio, uma vez que mesmo que a pessoa não seja contemplada no início, o valor da carta de crédito é reajustado para manter o poder de compra e não haver prejuízo para aqueles que só têm acesso ao valor no fim.

Ainda que haja um bom investimento, com segurança e com assessoria qualificada para tanto, dificilmente o ganho compensará a valorização de um imóvel ao longo de anos. 

O consórcio também oferece opções para todos os bolsos e intenções, para que não fique uma parcela muito pesada para quem vive de aluguel, por exemplo, e tenha que pagar os custos da locação e gestão condominial. 

Além disso, o consórcio oferece a vantagem de prever todo o valor do imóvel em sua espécie de financiamento, sem necessidade de entrada. Isso costuma ser um dos maiores entraves para aqueles que buscam iniciar um financiamento de imóvel. 

Outro problema comum de quem busca financiar é justamente ter que lidar com toda uma burocracia que não existe no caso dos consórcios. A dependência de diversas comprovações que o financiamento exige já não tem lugar no consórcio. 

Com isso, investir em um consórcio de imóveis se torna uma opção muito atrativa para buscar o sonho da casa própria e até mesmo para fazer investimentos no ramo imobiliário, sempre um dos mais procurados e seguros. 

Se há uma dívida em negociação, por exemplo, com uma empresa de instalações elétricas prediais que prestou algum serviço para seu empreendimento e ainda não foi paga, não é necessário correr para quitar para entrar no consórcio. 

É possível, inclusive, ingressar no consórcio com o nome sujo, porém quando houver o sorteio, já deverá estar regularizado para poder fazer jus a carta de crédito, o que seria impossível em um financiamento.

Pode-se, ainda, utilizar a carta de crédito para adquirir imóveis na planta, fazendo o negócio diretamente com a empresa especializada em construção civil que seja responsável pelo empreendimento. 

Outro ponto que deve ser considerado é que não há cobrança de juros porque, ao contrário do financiamento que é um empréstimo, isto é, uma dívida contraída junto ao banco, o consórcio é um investimento em grupo. 

Obviamente, há taxas de administração, mas são consideravelmente menores do que aquelas consideradas no financiamento tradicional. 

São elas:

  • Fundo de reserva; 
  • Fundo comum; 
  • Taxa de adesão; 
  • Seguros.

Com isso, o custo total da operação acaba sendo menor que se tivesse sido escolhida a modalidade do financiamento.

Entenda quais são as desvantagens

A principal desvantagem que pode ser considerada em relação ao consórcio é que não se trata de uma prática integralmente garantida.

Depende de diversos fatores para que se tenha a certeza de que se trata de um consórcio administrado por uma empresa idônea.

Entre esses fatores, o risco de inadimplência aparece entre os mais preocupantes, uma vez que, embora haja seguro entre as taxas presentes, sempre pode haver algum impacto. 

Por isso, é importante analisar como a administradora lida com esse tipo de situação e qual será a consequência para o resto do grupo. 

É importante que não haja um imóvel certo em vista já, uma vez que o valor pode subir radicalmente com apenas uma reforma da fachada e pintura predial, tornando impossível uma aquisição que era considerada certa. 

Além disso, outro ponto a ser mencionado é o tempo de espera para que haja a contemplação por meio da carta de crédito. 

Como mencionado, é possível que haja rapidamente um sorteio que o interessado seja contemplado e que, mais rápido do que o esperado, possa realizar a aquisição do imóvel.  

Isso, contudo, pode não ocorrer e obrigar a pessoa que está investindo no consórcio continuar até o fim do prazo para receber a carta de crédito. 

Ainda que haja o reajuste para conservar o poder de compra, é importante analisar se há disposição por parte do interessado de aguardar o prazo. 

É importante destacar que, em se tratando de imóveis, mesmo que o poder de compra esteja em tese preservado, o ramo imobiliário tende a ter um crescimento bem acelerado em termos de valores, como sabe qualquer administradora predial.

Assim, se o valor da carta seria de 50 mil reais e, houve o sorteio após 15 anos, elevando o valor para 150 mil reais com as devidas correções, por exemplo. 

Um imóvel que era objetivo 15 anos atrás e custava 120 mil reais, hoje poderá custar, suponhamos, 800 mil reais e, ainda que a carta de crédito seja reajustada, não comporta mais o valor para adquirir o bem em questão. 

Em um caso desses, por exemplo, se o valor fosse bem investido, teria sido mais vantajoso guardar o dinheiro e esperar. 

Por isso, deve-se analisar as outras alternativas possíveis, como realizar investimento para guardar o valor referente à carta de crédito e o próprio financiamento.

Cada caso terá a opção mais adequada, levando em consideração as condições totais financeiras, momento de vida e urgência em relação à compra de um imóvel. 

Esse texto foi originalmente desenvolvido pela equipe do blog Guia de Investimento, onde você pode encontrar centenas de conteúdos informativos sobre diversos segmentos.

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